quinta-feira, 31 de março de 2011

SkillScouting: O Modelo e o Sistema de Jogo (conceitos diferentes...

SkillScouting: O Modelo e o Sistema de Jogo (conceitos diferentes...: "O futebol, enquanto jogo desportivo colectivo, tem vindo a sofrer constante evolução. Diz-se do jogo que está mais rápido, com menos esp..."

O Modelo e o Sistema de Jogo (conceitos diferentes)



O futebol, enquanto jogo desportivo colectivo, tem vindo a sofrer constante evolução. Diz-se do jogo que está mais rápido, com menos espaços, e com jogadores cada vez melhores (num panorama global). Pensamos que o jogo está mais complexo e muito mais inteligente, com grandes domínios tático-estratégicos. Isto acontece não de novos sistemas mas da evolução de conceitos e modelos, que dão dinâmica e operacionalizam esses mesmos sistemas, modificando-os em função de exigências estratégicas. 
Outros aspectos externos também influenciam, obviamente, como por exemplo alterações às regras do jogo.

Nos últimos anos assistimos a grandes mudanças na metodologia do treino. Desta evolução, emerge um novo conceito que surge como o elemento central na preparação global da equipa, no processo de planificação e periodização do treino, e num aspecto mais amplo, da época desportiva – o modelo do jogo.

Afinal o que é o modelo de jogo? 

O modelo de jogo define-se como o conjunto de princípios (de onde se ramificam os sub-princípios) de comportamento da equipa, que definem a sua organização e lhe conferem uma identidade própria na forma como esta age perante o adversário, tendo em conta os 5 momentos principais do jogo – processo defensivo, transição defesa/ataque, processo ofensivo, transição ataque/defesa e acrescentamos os esquemas táticos.  Existem outras teorias que defendem apenas 4 momentos de jogo, nos defendemos 5 momentos, referidos nas linhas anteriores e acreditamos ainda que exista um 6º momento, a estratégia da equipa para o próximo jogo. De um modo global o modelo será, então, a forma como o treinador entende que a sua equipa deve jogar, atacando (posicional, contra-ataque…), defendendo (zona pressionante, homem a homem…), transitando entre a posse e a perda de bola (transição rápida, jogo directo, primeiras estações após recuperação, recuperação e equilíbrio defensivo…etc.), e forma de actuar nos esquemas táctico-estratégicos (bolas paradas).

Afinal o que é o sistema de jogo(tático)?

Por outro lado, o sistema de jogo (1+4+4+2, 1+3+5+2…) assume-se como a forma de disposição dos atletas pelo espaço de jogo. Portanto, sem um modelo que lhe confira princípios, o sistema de jogo é estanque, um mero desenho. Ao olharmos para os jogadores adversários conseguimos discernir qual o sistema de jogo, mas o modelo é transcendente, são as ideias que estão na cabeça do jogador/treinador. Assim, os jogadores têm comportamentos diferentes, pela incursão de ideias vindas do modelo, ao passo que o modelo não é mudado pela simples colocação dos jogadores em campo.

Modelo e Sistema de jogo são então dois aspectos diferenciados, ambos importantes e ambos com a sua complexidade. Julgamos que o mais importante é ter um modelo de jogo com ideias bem definidas, para depois as poder trabalhar com um ou mais sistemas, que favoreçam e se possível, potenciem, as características individuais dos atletas.
Em suma, realçamos a grande importância de um modelo de jogo e não só mas uma coisa o Treinador tem de fazer: Fazer sempre aquilo que acredita.
Adaptado

quarta-feira, 30 de março de 2011

Hoje destacamos Damigol (jovem talento)



Leandro Damião, cuja surpreendente facilidade de fazer golos no campeonato da divisão Gaúcho Brasileiro - 11 golos em seis jogos este ano -, evidentemente, chamou a atenção a muitos clubes internacionais ou não.

Damião de 21 anos de idade, continua a ser um parente desconhecido fora da América do Sul, deve sem dúvida ser considerada uma proposição igualmente atraente aos olhos dos clubes europeus com o objetivo de capturar a próxima estrela brasileira.

Com 1.87m de altura, veloz e bom jogo aéreo, tem todas as características de um avançado, mas com as qualidades físicas necessárias para liderar um ataque.

O craque Internacional, apelidado de "Damigol" por seus fãs, fez um excelente jogo pelo Brasil contra a Escócia, no estádio do Arsenal. Fez uma excelente dupla com Neymar o melhor atacante brasileiro da atualidade.
 
 

Princípios do Jogo de Futebol (gerais e específicos)




No futebol, a relação de cooperação/oposição manifesta-se na realização de acções individuais, de grupo e colectivas, específicas e congruentes com os objectivos e com as finalidades em cada momento do jogo, segundo regras de acção e princípios de gestão bem definidos. Estas regras de acção e princípios de gestão de jogo, são denominados no seu conjunto, e segundo Teodorescu (1984), componentes fundamentais da táctica. De acordo com este autor romeno, as componentes fundamentais da táctica são:

- As Fases: etapas percorridas no desenvolvimento quer do ataque quer da defesa desde o seu início até à sua conclusão.
-
Os Princípios (gerais e específicos): normas de base segundo as quais os jogadores, individual, em grupo ou colectivamente, devem coordenar a sua actividade durante os desenvolvimentos das fases (defesa e ataque).
-
Os Factores: meios que os jogadores utilizam, qualquer que seja a fase de jogo, tendo em conta a aplicação dos respectivos princípios.
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As Formas: estruturas organizadoras da actividade durante o jogo e nas diversas fases.
Os princípios específicos representam, conforme foi já referido, um conjunto de regras que devem coordenar as acções dos jogadores. A cada um dos 4 princípios específicos do ataque (penetração, cobertura ofensiva, mobilidade e espaço) correspondem outros tantos da defesa (contenção, cobertura defensiva, equilíbrio e concentração) e vice-versa.

Os princípios de jogo são então um conjunto de normas que orientam o jogador na procura das soluções mais eficazes, nas diferentes situações de jogo.

Quando um jogador se encontra na posse da bola, este deverá ter como primeira preocupação ver se existe possibilidade de finalizar (marcar golo) ou espaço livre de progressão para a baliza contrária, respeitando o primeiro princípio de ataque, isto é, a PENETRAÇÃO.

Em resposta à penetração, a equipa que defende deve fechar de imediato a linha de remate ou de progressão para a baliza, colocando um jogador entre o portador da bola e a baliza, criando uma situação de 1x1, cumprindo assim o primeiro princípio da defesa, ou seja, a CONTENÇÃO.

Esta situação de igualdade numérica agora criada, não deixa de envolver um maior risco para a equipa que defende. Assim, esta deve procurar criar superioridade numérica, através da inclusão de um segundo defensor, cumprindo assim o segundo princípio da defesa: a COBERTURA DEFENSIVA.

A equipa que ataca, dado que fica em inferioridade numérica, deve restabelecer o equilíbrio fazendo apelo a um segundo atacante e, respeitando o segundo princípio do ataque, COBERTURA OFENSIVA, tenta criar uma relação de igualdade numérica (2x2).
Esta situação de 2x2 é teoricamente menos vantajosa para o ataque do que a de 1x1. Justifica-se assim que o segundo atacante se afaste do portador da bola de forma a libertá-lo da sobremarcação (cobertura defensiva), procurando reconstituir a situação de 1x1. Caso o segundo defensor não o acompanhe, está então criada uma linha de passe que deve ser utilizada de forma a criar uma situação de 1x0. Este é o princípio da MOBILIDADE.

Entre estas duas alternativas, compete à defesa optar pela menos perigosa. O segundo defensor deve acompanhar o segundo atacante restabelecendo, ainda que em moldes algo frágeis, situações de igualdade numérica (1x1), através do cumprimento do princípio do
EQUILÍBRIO.

Podemos verificar, em síntese, que o ataque tem todo o interesse em tornar o jogo mais aberto, com maior amplitude, em largura e profundidade, em criar linhas de passe, de forma a obrigar a defesa a flutuar e a ter maior dificuldade em criar situações de superioridade numérica. Justifica-se por isso aquele que se constitui como o quarto princípio do ataque: ESPAÇO.

Pelo contrário, à defesa compete restringir o espaço disponível para jogar, diminuir a amplitude do ataque, obrigando o adversário a jogar em pequenos espaços, de forma a facilitar a cobertura defensiva e a criação permanente de situações de superioridade numérica. Explica-se desta forma a CONCENTRAÇÃO enquanto quarto princípio de defesa.

Nota Final:É unânime o reconhecimento de duas fases fundamentais no sucesso do processo ofensivo e defensivo, e que têm vindo a ganhar mais relevo como alvo de estudo - transições ataque/defesa e defesa/ataque...

 Adaptado de Vítor Severino 

terça-feira, 29 de março de 2011

O Microciclo... (dominantes do treino)



Pretendemos aqui ajudar muitos dos treinadores a perceber quais as dominantes a ter em conta na organização do seu trabalho semanal. Antes de percebermos muitos destes conceitos teremos primeiro de saber quais os princípios, sub-princípios do jogo. O planeamento e a periodização do treino são dois aspectos indissociáveis que fazem parte de um conjunto de competências que se atribuem aos treinadores como fundamentais. Sem um planeamento bem definido, que passa não só pela organização dos planos de treino semanais (o microciclo, no seu conjunto) mas também pela definição de conteúdos e objectivos a longo prazo (a época desportiva), o trabalho é baseado apenas no presente ou seja, não se define para onde e como se quer caminhar. À parte destas questões é também óbvio e importante que os planeamentos devem ser flexíveis e feitos “a lápis”. Assim, o treinador não tem de estar preso a uma planificação rígida, deve sim avaliar de forma constante e sistemática o seu trabalho, optimizando, modificando (se necessário) e operacionalizando os processos, à procura do rendimento global da equipa.

A periodização convencional (autores como Matveiev) deixou de fazer sentido à luz do que se sabe hoje em dia, para os jogos desportivos colectivos, dada a sua complexidade e natureza acíclica. Assim, pouco se fala hoje de Macrociclos e Mesociclos e, dos fundamentos da periodização táctica (Vítor Frade), emerge o Microciclo como a única dominante estrutural na periodização do treino. Questões como a divisão em factores de rendimento – físicos, técnicos, tácticos e psicológicos – ou a pré-época como suporte da condição física para a temporada, esvanecem-se actualmente.

Assim, o princípio da especificidade assume-se como fundamental na planificação e, a perspectiva da complexidade (interacção de todos os factores), é base de todo o entendimento do jogo e do treino do mesmo.

Chegado a um cube, o treinador deve em primeiro lugar contextualizar-se com a realidade em causa, depois aparece a criação do Modelo de Jogo Adoptado, e consecutivamente e obrigatoriamente o Modelo de Treino. Os exercícios criados, vão então reflectir as ideias do treinador que, por seu lugar, estão implícitas no Modelo de Jogo. Assim, mais do que um treino integrado, temos um treino com carácter elevado de especificidade, um treino do “Jogo que se quer Jogar” (5 Momentos - Como Atacar, Como Defender, Como Efectuar a Transição Ataque/Defesa, Transição Defesa/Ataque e Esquemas tácticos). Para além disso não se podem descurar os aspectos estratégicos (especificidade de determinados jogos, esquemas tácticos, entre outros).

Antes de avançar no tema, queremos fazer uma distinção entre o planeamento de treino nos escalões sénior (e também juniores – escalão já muito vincado no que respeita ao rendimento) e na formação propriamente dita.
Na formação, existem diversos factores que devem ser considerados, como o crescimento e maturação, a aprendizagem das habilidades específicas e conteúdos tácticos e deve haver também respeito pelas fazes sensíveis. Existem outros factores interessantes como o paradoxo do princípio da reversibilidade, ou seja, o atleta jovem pode não baixar a sua performance por deixar de treinar determinado aspecto, porque está a “sofrer” largas modificações no seu organismo que, por palavras simples, o estão a tornar mais “forte” e “mais apto” à medida que cresce - principalmente na puberdade (mas isto são assuntos para outras “trivelas”).

No que respeita ao microciclo padrão (com uma ou duas competições semanais), existem diversas fontes que agrupam as componentes de treino de uma forma mais ou menos consensual: Domingo: Jogo; Segunda:Recuperação Psicomotora; Terça: Folga; Quarta: Força Específica; Quinta: Resistência Específica; Sexta: Velocidade Específica e Sábado: Aperfeiçoamento e Revisão Táctica.

Sendo estes factores de esforço importantes, não somos por vezes levados a olhar em demasia para as capacidades motoras no planeamento dando menos importância ao que realmente vamos querer treinar? Eu chamo a esses aspectos as componentes qualitativas do jogo (do nosso jogo – modelo de jogo adoptado), sendo que as capacidades motoras específicas são a base de sustentação óbvia para que seja possível realizá-las. Desta forma, em que aspectos do jogo está presente a força específica, não será nos duelos 1x1, nos espaços reduzidos? E a resistência, não será na circulação e posse de bola, na basculação defensiva? E a velocidade, no contra ataque, também nos duelos e na procura de criar roturas na defesa, nas compensações necessárias?
Figura 1 - O Microciclo
MJA = Modelo de Jogo Adoptado
Não queremos retirar a importância que estes aspectos merecem, até porque é impossível. Julgamos apenas que primeiro devemos pensar no nosso jogo, e depois adaptar as planificações tendo em conta esses aspectos. Desta forma, consideramos que o mais importante são as componentes qualitativas dominantes do treino que, de acordo com o modelo de jogo adoptado vão ser distribuídas pela semana de acordo com a sua base energética e de esforço - específico do futebolista. A intensidade, deve ser sempre máxima (relativa à sessão) e só assim se consegue uma concentração táctica absoluta desde o aquecimento até ao retorno à calma. A complexidade será o único factor que posso considerar mais ou menos elevado, pois na sessão de recuperação temos concerteza menos complexidade que numa sessão onde são abordados a maioria dos princípios do jogo.
Passamos a bola aos leitores !
Adaptado

segunda-feira, 28 de março de 2011

Regras de conduta dos Treinadores de Formação...


Pretendemos demonstrar aqui algumas regras que os treinadores das equipas de formação, nas diferentes modalidades desportivas, devem:
 
a) Não ser demasiado exigentes no tempo despendido nos treinos e no esforço solicitado, junto dos jovens praticantes.
b) Ensinar os jovens jogadores que as regras desportivas representam acordos mútuos que não devem ser quebrados ou abandonados.
c) 0rganizar as competições de acordo com as idades dos praticantes e o seu nível de aprendizagem, de modo a tornar mais viável um possível sucesso.
d) Evitar a prática desportiva excessiva dos praticantes sobredotados. Por outro lado, todos os jovens praticantes desportivos devem ter iguais oportunidades de participarem na prática desportiva competitiva.
e) Lembrar-se que as crianças e os jovens praticam desporto, antes de mais pelo prazer e satisfação que este lhes proporciona e que a vitória é só uma componente da sua motivação.
f) Evitar ridicularizar ou repreender em público uma criança ou um jovem por cometer qualquer erro ou perder a competição em que participou.
g) Assegurar-se de que o equipamento e as instalações que serão utilizadas pelos jovens jogadores obedecem a padrões de segurança e estão de acordo com a idade e capacidade dos utentes.
h)    Tomar em consideração o grau de maturidade das crianças e dos jovens quando estabelecem os horários para a prática desportiva e a duração dos treinos e das competições.
i) Desenvolver em cada jovem praticante o respeito pela capacidade dos adversários, assim como pelos árbitros e treinador das equipas adversárias.
j) Comprometer-se a uma actualização permanente sobre a metodologia do treino específico de crianças e jovens e a sua influência num processo correcto de desenvolvimento dos praticantes.