O futebol, enquanto jogo desportivo colectivo, tem vindo a sofrer constante evolução. Diz-se do jogo que está mais rápido, com menos espaços, e com jogadores cada vez melhores (num panorama global). Pensamos que o jogo está mais complexo e muito mais inteligente, com grandes domínios tático-estratégicos. Isto acontece não de novos sistemas mas da evolução de conceitos e modelos, que dão dinâmica e operacionalizam esses mesmos sistemas, modificando-os em função de exigências estratégicas.
Outros aspectos externos também influenciam, obviamente, como por exemplo alterações às regras do jogo.
Nos últimos anos assistimos a grandes mudanças na metodologia do treino. Desta evolução, emerge um novo conceito que surge como o elemento central na preparação global da equipa, no processo de planificação e periodização do treino, e num aspecto mais amplo, da época desportiva – o modelo do jogo.
Afinal o que é o modelo de jogo?
O modelo de jogo define-se como o conjunto de princípios (de onde se ramificam os sub-princípios) de comportamento da equipa, que definem a sua organização e lhe conferem uma identidade própria na forma como esta age perante o adversário, tendo em conta os 5 momentos principais do jogo – processo defensivo, transição defesa/ataque, processo ofensivo, transição ataque/defesa e acrescentamos os esquemas táticos. Existem outras teorias que defendem apenas 4 momentos de jogo, nos defendemos 5 momentos, referidos nas linhas anteriores e acreditamos ainda que exista um 6º momento, a estratégia da equipa para o próximo jogo. De um modo global o modelo será, então, a forma como o treinador entende que a sua equipa deve jogar, atacando (posicional, contra-ataque…), defendendo (zona pressionante, homem a homem…), transitando entre a posse e a perda de bola (transição rápida, jogo directo, primeiras estações após recuperação, recuperação e equilíbrio defensivo…etc.), e forma de actuar nos esquemas táctico-estratégicos (bolas paradas).
Afinal o que é o sistema de jogo(tático)?
Por outro lado, o sistema de jogo (1+4+4+2, 1+3+5+2…) assume-se como a forma de disposição dos atletas pelo espaço de jogo. Portanto, sem um modelo que lhe confira princípios, o sistema de jogo é estanque, um mero desenho. Ao olharmos para os jogadores adversários conseguimos discernir qual o sistema de jogo, mas o modelo é transcendente, são as ideias que estão na cabeça do jogador/treinador. Assim, os jogadores têm comportamentos diferentes, pela incursão de ideias vindas do modelo, ao passo que o modelo não é mudado pela simples colocação dos jogadores em campo.
Modelo e Sistema de jogo são então dois aspectos diferenciados, ambos importantes e ambos com a sua complexidade. Julgamos que o mais importante é ter um modelo de jogo com ideias bem definidas, para depois as poder trabalhar com um ou mais sistemas, que favoreçam e se possível, potenciem, as características individuais dos atletas.
Em suma, realçamos a grande importância de um modelo de jogo e não só mas uma coisa o Treinador tem de fazer: Fazer sempre aquilo que acredita.
Adaptado

Sem comentários:
Enviar um comentário